Após a eliminação de mais de 500 mil empregos em atividades turísticas, nos seis primeiros meses da pandemia, o setor vem apresentando sinais de recuperação. Foi o que apontou o levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apresentado hoje, no Fórum Panrotas 2022. O diretor do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) da entidade e presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, falou sobre os resultados do segmento e as expectativas para este ano.

De acordo com a pesquisa da CNC, o setor de turismo já conseguiu recriar, a partir de maio de 2021, 290 mil vagas, destacando-se bares e restaurantes (+220,5 mil) e serviços de hospedagem (+61,2 mil). E, desde maio do ano passado, os saldos mensais entre admissões e desligamentos se mostraram positivos. A expectativa da entidade é que, com a manutenção do ritmo de atividades e duas altas temporadas, o setor gere até o fim deste ano 193,6 mil vagas, encerrando 2022 com a abertura líquida de 258,1 mil postos de trabalho formal.

Ainda segundo a análise, essa retomada das oportunidades de emprego também é reflexo da abertura de novas empresas do segmento. Foram 79,8 mil novos estabelecimentos empregadores a partir do último trimestre de 2020, um avanço relativo de 12,3% na quantidade de unidades ativas, segundo dados do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Destaque para as atividades de bares e restaurantes (+14% ou +48.289 unidades) e estabelecimentos especializados no aluguel de veículos (+14,1% ou 3.181 unidades). Atualmente, o turismo conta com 606.564 unidades empresariais ativas.

Setor em recuperação

De acordo com o apurado pela CNC, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em abril, o faturamento do segmento de turismo ficou apenas 3% abaixo do patamar verificado às vésperas da crise sanitária – já descontados os efeitos da inflação, o equivalente a R$ 1,04 bilhão. A expectativa da entidade é que o turismo brasileiro restabeleça o nível de geração de receitas do período pré-pandemia até o terceiro trimestre deste ano, devendo encerrar 2022 com alta de 2,8% em relação ao ano passado.

Segundo Alexandre Sampaio, a reação das atividades turísticas tem se mostrado consistente e compatível com o fim do isolamento social da população. “Apesar do aumento recente do número de casos de covid-19, o fato de mais de 83% da população acima de cinco anos estar vacinada reduz significativamente a possibilidade de novas medidas restritivas como as implementadas em 2020 e início de 2021”, avalia.

Turismo internacional

A entrada de turistas internacionais também tem apresentado sinais de recuperação. De acordo com dados do Sistema Internacional de Tráfego (SIT) da Polícia Federal, no primeiro quadrimestre deste ano, o número de visitantes estrangeiros que deram entrada no País (962 mil) já superou em 61% a totalidade dos turistas que ingressaram no Brasil, em 2021.

O economista da CNC responsável pelo levantamento, Fabio Bentes, pondera que, ainda que o fluxo de viajantes não tenha se normalizado – entre janeiro e abril de 2019, por exemplo, 2,24 milhões de turistas estrangeiros cruzaram as fronteiras do País –, o cenário de arrefecimento da pandemia tem viabilizado o avanço consistente da chegada de visitantes estrangeiros. “O número crescente de viajantes que entram no País como turistas tem proporcionado avanços na receita em moeda forte, nos últimos meses. Internamente, o aumento da demanda por serviços turísticos tem impulsionado o mercado de trabalho nessas atividades.”

Acesse a análise completa da Divisão de Economia e Inovação da CNC