Presidente Queiroz – Foto Institucional

 Por Antonio Florencio de Queiroz Junior

 

Em fevereiro, quando a Fecomércio RJ aderiu ao Pacto Global da ONU Contra a Corrupção, demos um importante – e simbólico – passo ao demonstrar que a integridade nos negócios seria cada vez mais uma prioridade para todos nós. A ideia ali era dupla: não só guiar as relações entre os parceiros do Sistema Fecomércio RJ, mas também servir de referência para o comércio e turismo do Rio.

Sabemos, contudo, que as palavras podem servir de inspiração, mas é o exemplo que arrasta. Foi com isso em mente que, agora em maio, colocamos no papel a nossa própria política anticorrupção – uma espécie de carta magna com a especificação de como a Fecomércio RJ irá lidar com práticas do gênero tanto por parte de seu corpo de dirigentes quanto por seus fornecedores, terceirizados, consultores e quaisquer outros envolvidos com a nossa entidade – além, claro, de servir de guia para os nossos parceiros do setor produtivo. É um passo concreto para reunir o que há de mais moderno no Brasil e no mundo em medidas de compliance e integridade.

O Brasil já tem há mais de oito anos uma lei anticorrupção em vigor (Lei nº 12.846/2013). Foi um avanço importante e, como não poderia deixar de ser, bebemos dessa fonte. Decidimos, porém, não nos limitarmos a essa referência. Fomos buscar em boas práticas internacionais o que será o diferencial da nossa postura, que coloca o Sistema Fecomércio RJ em uma posição firme em relação aos cuidados efetivos para impedir práticas antiéticas e, eventualmente, criminosas por parte de sua equipe e parceiros. Nosso objetivo é um só: fazer o setor produtivo e, em especial no Rio, cada vez mais sustentável e íntegro. A era do lucro pelo lucro acabou há tempos – e a pandemia só escancarou isso.

Um dos destaques nesse sentido é o reconhecimento do problema da corrupção privada – ou seja, aquela corrupção que acontece não pela busca por corromper uma autoridade pública, mas por meio de negociações antiéticas e acordos espúrios entre partes privadas. Esse tipo de corrupção faz parte do regramento britânico, por exemplo, desde 2010. No Brasil, ela não está prevista nem no Código Penal nem na Lei Anticorrupção, embora haja iniciativas legislativas que buscam preencher essa lacuna.

Esse desenho elaborado pelo Sistema Fecomércio RJ preenche a coluna “G” na sigla do momento nos negócios, o ESG (o tripé ambiental, social e de governança). Nosso olhar também está direcionado para os outros dois elementos. No social, queremos garantir diversidade no espaço corporativo e gerar impacto social com nossa atuação. Na área ambiental, nosso carro-chefe é o Instituto Fecomércio de Sustentabilidade. Na prática, o plano é que o Sistema Fecomércio seja um grande parceiro das empresas do Rio para viabilizar as ações de ESG.  E isso não é pouca coisa: tanto Sesc quanto Senac RJ possuem expertise nessas áreas há mais de 70 anos, obviamente sem a alcunha de ESG.

No fundo, esperamos que isso tudo sirva de exemplo e referência para o comércio e turismo no Rio, deixando claro desde já que a Fecomércio-RJ segue regras sérias de integridade, esse é um caminho sem volta e incentivará que seus parceiros também sigam essas regras. Não há espaço mais para improvisos ou o tal “jeitinho brasileiro”. O caminho da retomada do crescimento de nossa economia é um só: a integridade, a sustentabilidade e um olhar social nos negócios.