INADIMPLÊNCIA SOBE PELA 5ª VEZ E ATINGE 38,2%, MAIOR PATAMAR DESDE 2013, APONTA FECOMÉRCIO-BA

São 356 mil famílias com contas em atraso em Salvador. Inflação e crédito caro dificultam equilíbrio nas contas.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio-BA, em junho, a taxa de famílias com contas em atraso atingiu 38,2%, ante 35,8% de maio. Além de ter sido a quinta alta consecutiva, o patamar é o mais elevado desde 2013. Atualmente, são 356,5 mil famílias inadimplentes, um aumento de 117 mil em relação ao mesmo período do ano passado.

A inflação que bate na casa dos 13% em Salvador, os juros que seguem em expansão e o desemprego ainda elevado, em 1,2 milhão de pessoas na Bahia, é a combinação perfeita para facilitar o descontrole no orçamento das famílias, que não conseguem pagar as contas em dia.

Como o mercado de trabalho não tem melhorado e a renda está sendo corrida pela inflação, os consumidores não têm uma alternativa para manter as compras básicas, como supermercados e combustível, a não ser através do complemento do crédito. Mesmo com a incerteza de quitação do compromisso feito, o consumidor está se arriscando, pois é uma situação altamente delicada, beirando o limite, de ter que manter o consumo básico, mesmo sabendo dos riscos da inadimplência.

E esse risco é relevante, pois os juros estão subindo. Desta forma, quem estiver com contas em atraso vai pagar cada vez mais ao sistema financeiro e instituições de crédito e sobrará menos para o consumo do dia a dia. Assim, a FecomercioSP recomenda que os consumidores não esperem muito tempo com a dívida em atraso e busquem a instituição financeira o mais rápido possível para dar início as renegociações. Esse passo é essencial para buscar condições de pagamentos adequadas ou até mesmo para alterar para uma modalidade de crédito mais barata.

E o endividamento, por sua vez, registrou leve aumento de 66,7% em maio para 67,1% em junho. São 626,1 mil famílias em Salvador com algum tipo de dívida, 24 mil a mais que junho de 2021.

O tipo mais comum de dívida continua sendo o cartão de crédito com 85,9% dos endividados. Em segundo lugar vem o crédito consignado com 9,1%. A boa notícia é que esse percentual é o maior da série histórica. E essa modalidade é mais saudável ao consumidor, pois tem a garantia do salário e, por isso, as condições são mais favoráveis em relação a taxa de juros.

Na análise por faixa de renda, há uma discrepância nos percentuais. No caso da inadimplência, 4 a cada 10 famílias que ganham menos de 10 salários-mínimos estão com contas em atraso. Para o grupo que ganha acima desse valor, a taxa é de 18,9%, ou seja, menos que a metade.

No endividamento, a taxa em junho foi de 69,2% e 45% dos que ganham menos e mais, respectivamente. Ambos com aumento em relação a maio.

Portanto, a situação não tem melhorado, por mais que tenha havido as injeções dos recursos do FGTS e da antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas. A inflação tem sobrecarregado as finanças domésticas das famílias de Salvador que, neste momento, não possuem uma saída e um horizonte favorável o que, por consequência, dificulta a retomada das vendas do comércio.