NÍVEL DE SEGURANÇA NO EMPREGO É O MAIOR DESDE O INÍCIO DA PANDEMIA, APONTA FECOMERCIO-BA

Melhora no emprego, no entanto, não tem surtido efeito relevante no consumo.

Em maio, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, atingiu 83,6 pontos, alta mensal de 2,1% e crescimento de 9,4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O ICF varia de 0 a 200 pontos, sendo de 0 a 100 pontos considerado patamar de insatisfação, ou seja, maioria das respostas negativas e, de 100 a 200 pontos considerado nível de satisfação, com a maior parte dos entrevistados respondendo positivamente.

O destaque no mês é o item Emprego Atual que subiu 2,1% e está nos 111,5 pontos, o maior patamar desde abril de 2020, início da pandemia do coronavírus. São 37% dos entrevistados que disseram estar mais seguros nos seus empregos. De fato, o mercado de trabalho na capital baiana tem melhorado, gerando mais oportunidades e mais segurança.

E a perspectiva para o futuro próximo é positiva para as famílias de Salvador. O Item Perspectiva Profissional apresentou a maior variação no mês, 7% e sobe para os 108,8 pontos. São os dois únicos itens dos sete analisados pelo indicador que estão acima dos 100 pontos.

Embora os itens relacionados ao emprego tenham melhorado em maio, não tem surtido efeito significativo no consumo. O item Nível de Consumo Atual avançou 2,9% e ainda está num patamar bastante crítico de insatisfação, com 62 pontos, inclusive abaixo do visto no mesmo período do ano passado (65,1 pontos). São 56,3% das famílias que dizem estar com nível de consumo abaixo do ano passado.

E para o curto prazo, próximos seis meses, também houve uma redução da insatisfação, de 78,9 pontos para 82,2 pontos, alta de 4,1% do item Perspectiva de Consumo.

O que poderia ajudar o consumo seria o aumento do crédito para o consumidor. Contudo, com a subida dos juros torna a situação mais delicada. O item Acesso a Crédito caiu 4,9% e foi o único a registrar queda no mês, com o índice indo para 83,4 pontos, o menor desde julho de 2020. No mês, foram 46,4% das famílias que disseram estar mais difícil a obtenção de empréstimos para compras a prazo.

E o efeito disso é visto na avaliação de compra de bens como geladeira e fogão, por exemplo. O item Momento para Duráveis registrou ligeiro aumento de 1,4%, porém está com 41,5 pontos, o item de pior avaliação no ICF no mês e com três a cada quatro famílias dizendo ser um período ruim para aquisição desses tipos de bens mais caros.

Em relação a renda, as famílias melhoraram a avaliação em maio. O item Renda Atual avançou 1,6% e fica próximo dos 100 pontos, com 96 pontos, maior patamar desde março do ano passado. Além do ganho de renda através da melhora do emprego, a possibilidade de retirada de parte do FGTS e a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas também contribuíram para o aumento do item.

Na análise por faixa de renda, houve aumento para ambas as faixas analisadas pelo ICF, de 2,2% para as famílias que ganham até 10 salários-mínimos e de 1,3% para os que ganham acima desse valor. No entanto, a pontuação ainda está bem discrepante, de 81,3 pontos para o primeiro grupo e 108,3 pontos para o segundo. Ou seja, as famílias de renda mais baixa ainda estão insatisfeitas de maneira geral com suas condições econômicas, por estarem abaixo dos 100 pontos.

Duas tendências que parecem claras, a de melhora no mercado de trabalho e a da inflação alta. Se por um lado há a recuperação da renda do trabalhador, por outro o aumento de preços corroí o poder de compra.

Ainda vai demorar um pouco para a melhora do emprego provocar uma expansão do consumo que possa dar fôlego ao comércio. Ao mesmo tempo, o nível recorde de famílias inadimplentes é mais um dificultador para o consumo, até porque antes de ir ao comércio, as famílias precisam equilibrar suas contas atrasadas.

Portanto, embora o ICF tenha registrado aumento em maio, a situação econômica da família soteropolitana está longe de ser confortável.