INTENÇÃO DE CONSUMO EM QUEDA PODE DIFICULTAR VENDAS PARA O DIA DAS MÃES, APONTA FECOMERCIO-BA

Itens de consumo e crédito em baixa indicam impacto forte da inflação e alta de juros.

Em abril, o índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, registrou queda de 1,6% ao passar de 83,2 pontos em março para os atuais 81,9 pontos, praticamente o mesmo de um ano atrás, 81,5 pontos.

Lembrando que o ICF varia entre 0 e 200 pontos, sendo mais próximo de 200 considerado patamar otimista e mais perto do 0, nível de pessimismo.

Os itens que apresentaram as maiores quedas estão relacionados ao consumo e ao crédito. O item Nível de Consumo Atual retraiu 7,2% e voltou aos 60,2 pontos, o que representa, segundo a pesquisa, que 58% dos entrevistados estão gastando menos em relação a igual período do ano passado.

O problema é que o pessimismo na questão do consumo também ocorre para o futuro próximo. O item Perspectiva de Consumo variou -5,2% e volta aos 78,9 pontos, ou quase metade (49,7%) dizem que devem reduzir os gastos nos próximos meses.

A variação foi idêntica para o item Acesso a Crédito, de -5,2%, ao passar de 83,3 pontos para os 78,9 pontos de abril. Desta forma, os números indicam que está mais difícil para obter empréstimos para compras a prazo.

E se o crédito está mais difícil e a intenção é de gastar menos, seria natural o aumento do pessimismo em relação a compra de bens duráveis, como geladeira, fogão, televisor, etc. O item Momento para Duráveis caiu 4,6% no mês e atinge 40,9 pontos, sendo o item com pior avaliação no ICF. Para 77% das famílias de Salvador, o momento é ruim para compras de bens duráveis.

O item Renda Atual ficou estável nos 94,5 pontos em abril e teve pouco avanço em relação ao mesmo mês de 2021, de 92,1 pontos.

Em relação ao emprego, houve uma melhora sobretudo na visão de médio prazo. O item Perspectiva Profissional cresceu 6,6%, bate nos 101,7 pontos e volta ao patamar otimista, acima de 100 pontos, o que não se via desde abril do ano passado. A maioria das famílias diz que deve haver uma melhora profissional para o responsável do domicílio nos próximos seis meses.

E as famílias também estão otimistas e seguras no atual cargo. O item Emprego Atual embora tenha ficado tecnicamente estável em relação a março, a pontuação é a mais alta entre os itens avaliados do ICF, com 109,2 pontos. São 36,3 das famílias que dizem estar mais seguro no emprego atual, acima dos 29,5% vistos neste mesmo período do ano passado.

A queda da intenção de consumo foi maior no grupo de renda mais elevada. O índice para esse grupo foi de 106,9 pontos, 3,3% abaixo do mês de março, sendo a terceira queda consecutiva. No entanto, ainda se posiciona acima dos 100 pontos, com a maioria otimista.

Por outro lado, o ICF para as famílias com renda inferior a 10 salários-mínimos foi de 79,5 pontos, queda mensal de 1,4%.

De forma geral, a inflação e juros elevados têm impactado diretamente o ímpeto de gastos das famílias em Salvador. Embora haja uma recuperação gradual do emprego, não está conseguindo melhorar o nível da renda para amenizar a inflação. E o crédito mais caro traz uma transferência de renda ruim, mais para pagamento de juros e menos para o consumo.

Por isso, por mais que tenha tido melhora nos itens do emprego, não está evitando uma piora na avaliação no consumo e no crédito.

E o saldo negativo em abril é um sinal muito ruim para o comércio, sobretudo para esta época do ano, quando o setor se prepara para a principal data do 1º semestre, o Dia das Mães. Infelizmente, com a atual situação econômica, está longe do consumidor observar uma melhora significativa nas suas condições financeiras. Somente com inflação mais amena e com mais emprego que o quadro muda, mas, por enquanto, os desafios permanecem no dia a dia.