AUMENTO NAS VENDAS ELEVAM CONFIANÇA DO EMPRESÁRIO DO COMÉRCIO EM MAIO, APONTA FECOMÉRCIO-BA

Antecipação do 13º salário para aposentados e liberação do saque do FGTS são fatores que impulsionaram as vendas. Porém, efeitos pontuais.

O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), elaborado mensalmente pela Fecomércio-BA, se recupera após quatro quedas consecutivas. Em maio, o índice alcançou 113,9 pontos, alta de 4,4% na comparação mensal e crescimento expressivo de 36% no contraponto anual.

O ICEC varia de 0 a 200 pontos, sendo que entre o intervalo de 100 a 200 pontos é considerado um patamar de confiança dos empresários e, de 0 a 100 pontos, nível de pessimismo. Quanto mais perto dos extremos, 0 e 200 pontos, mais confiante ou mais pessimista estará o empresário do comércio.

O que puxou a confiança do empresário no mês foi a melhora no dia a dia das empresas do comércio e no próprio negócio. O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) subiu 11,3% em maio e atingiu 94,2 pontos, maior nível desde abril de 2020, início da pandemia. Na comparação anual o avanço é ainda maior, de 78,4%. Especificamente o subíndice que avalia o humor das empresas comerciais subiu 11,8% e alcança os 106,8 pontos.

Ainda é cedo para afirmar com toda a certeza, mas a liberação de parte do FGTS e a antecipação do 13º salário para aposentados podem ter dado um gás nas vendas do comércio e, com isso, melhorado a avaliação dos empresários. Contudo, é importante dizer que esses benefícios são temporários, ou seja, com efeito no curto prazo somente e não devem sustentar o consumo ao longo do segundo semestre.

A melhora no mercado de trabalho também poderia ser um motivo para aumentar a confiança do empresário. Porém, ainda não tem refletido no aumento significativo do consumo dado o alto grau de famílias endividadas e inadimplentes.

Para o médio prazo, num horizonte de um ano, a confiança está elevada, em 150,1 pontos, conforme aponta o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC). Esse resultado é 2,8% superior ao visto em abril e 20,9% acima em relação a igual período do ano passado.

E o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) teve leve crescimento, de 1% e se posiciona nos 97,4 pontos. Em relação a maio de 2021, a variação foi de 31,2%. Dentre os itens avaliados nesse índice, enquanto houve crescimento de 3,6% no nível de investimento das empresas, por outro lado houve queda de 1,1% no indicador de contratação de funcionários.

De maneira geral, o que dá para absorver dos números do mês é que o possível maior movimento no comércio no segundo trimestre, por conta de recursos injetados neste momento específico, elevou a confiança dos empresários.

Portanto, por enquanto, não há indicativos de que alta da confiança seja uma tendência e que terá efeitos nos investimentos e contratações daqui para frente. A situação requer ainda atenção, dada a inflação e juros elevados, tal como a inadimplência. Muita dificuldade ainda para o consumidor retornar de forma segura ao consumo e que consiga manter um crescimento sólido do ICEC.