Trabalho — Crédito/Foto: Unsplash

Por g1

A 20ª edição do Índice de Confiança Robert Half, estudo trimestral que mede a percepção dos profissionais qualificados em relação ao mercado de trabalho, mostra que a confiança dos colaboradores continua em alta, tanto em relação ao momento presente quanto à expectativa para os próximos meses.

19ª edição já havia apontado o maior otimismo quanto ao mercado de trabalho desde o início da pandemia, o que se repetiu nesta nova sondagem.

Dos 100 pontos possíveis, o índice do momento presente atingiu 36,8, avanço de 1,3 ponto na comparação com março (35,5). Em relação à expectativa para a situação futura, o estudo apresentou ligeiro crescimento, de 48,8 para 48,9, mas ainda longe do índice registrado em março de 2020 (56,7), quando começou a pandemia.

No caso da situação atual, o índice se aproxima do registrado em março de 2020, cuja medição foi feita antes do início oficial da quarentena.

O patamar é considerado otimista quando o índice fica acima dos 50 pontos.

Crédito/Fonte: Índice de Confiança Robert Half

Expectativa melhora entre os desempregados

O Índice de Confiança Robert Half abrange três categorias: profissionais empregados, profissionais desempregados e recrutadores.

Em relação à situação atual, os indicadores melhoraram tanto para os desempregados quanto para os profissionais qualificados permanentes, que obtiveram a maior pontuação da série histórica (a pesquisa completou cinco anos nesta edição), mesmo que ainda não tenham alcançado o patamar otimista (acima de 50 pontos).

Por outro lado, o grupo de recrutadores, em alta nas últimas edições, se mostrou mais cético e sinalizou piora em seu nível de confiança.

Para os próximos seis meses, apenas os desempregados apresentaram alta na expectativa. Empregados e recrutadores recuaram de forma moderada, porém, os profissionais que têm participação no preenchimento das vagas ainda se mantêm em um cenário otimista quando avaliam o futuro, com 51,4 pontos.

“Mais uma vez, o indicador da situação atual apresenta o melhor índice desde o início da pandemia. Esse aumento gradual de confiança para o presente também é um forte indicador de retomada, pois demonstra que o mercado não está parado, as ações estão sendo realizadas. Por outro lado, não podemos relevar que anos de eleições colocam muitas empresas em compasso de espera, o que pode interferir no olhar para o futuro ”, aponta Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul.

Modelo híbrido segue como preferência

A pesquisa mostra ainda a tendência de evolução dos modelos de trabalho flexível e da consequente ruptura do pensamento que associa produtividade ao trabalho integralmente presencial.

Para 57% dos recrutadores entrevistados, as empresas para as quais trabalham devem adotar o modelo híbrido de trabalho daqui para a frente.

Além deles, 33% indicaram que planejam retornar ao modelo 100% presencial e 10% disseram que permanecerão integralmente em home office.

De acordo com o levantamento, 73% das empresas que optaram pelo modelo híbrido já definiram qual é o planejamento em relação à quantidade de dias no escritório. De forma ainda mais flexível, 27% dos entrevistados afirmaram deixar a escolha a critério dos colaboradores. Veja abaixo a exigência de dias no escritório segundo as empresas:

  • 3 dias na semana: 29%
  • 2 dias na semana: 27%
  • 4 dias na semana: 10%
  • 1 dia na semana: 7%

Busca por mão de obra qualificada ainda é desafio

Segundo 76% dos recrutadores entrevistados, encontrar profissionais com os requisitos técnicos e comportamentais necessários para o preenchimento das vagas em aberto está difícil ou muito difícil. Na última edição do estudo, essa porcentagem foi de 74%.

Na visão de 70%, o cenário não deve mudar nos próximos seis meses, enquanto 22% acreditam que a busca ficará ainda mais difícil.

Os desafios de retenção também devem impactar o mercado, visto que 26% das empresas afirmam que a intenção de contratar nos próximos meses será mais alta do que atualmente.

De acordo com Mantovani, no segundo trimestre de 2022, a taxa de desemprego para o grupo de profissionais qualificados ficou em 5,3%, valor muito próximo do que se chama de pleno emprego.

“Nesse sentido, é importante ter em mente que atrair talentos por muitas vezes significará ativar profissionais que não estão à solta no mercado. Por isso, recomendo atenção redobrada aos processos de recrutamento assim como um olhar minucioso para dentro de casa, para minimizar os riscos de acabar perdendo seus melhores talentos para a concorrência”, diz.

A 20ª edição do ICRH é resultado de uma sondagem conduzida pela Robert Half no mês de maio com base na percepção de 1.161 profissionais, igualmente divididos em três categorias: recrutadores (profissionais responsáveis por recrutamento nas empresas, ou que têm participação no preenchimento das vagas); profissionais qualificados empregados; e profissionais qualificados desempregados (com 25 anos ou mais e formação superior).

Fonte: G1 – TRABALHO E CARREIRA